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Nov 12

Some of the following is based on fact ... the rest is romantic fiction....

 

Para quem não sabe, a Mills & Boon é uma editora de livros românticos mais conhecidos por livros de cordel ou de banca. Já li muitos, já me apaixonei por vários e já torci o nariz a uma porção deles. Mas sobretudo não sou daquelas que critica. Acho que é uma forma tão válida quanto todas as outras para que as pessoas leiam. E convenhamos que a maioria da literatura (aceitável como literatura para os meios académicos) não é acessível a todas as pessoas pois, por vezes, a complexidade da linguagem e a extensão das histórias não incentiva a sua leitura.

 

Este filme (que celebra o centenário da Mills&Boon) é especialmente aconselhado a quem critica esse género de leitura. De uma forma explícita e coerente consegue explanar o porquê destas leituras serem tão aprazíveis para o sexo feminino desde que começaram a ser editadas nos anos vinte do século passado. Custos baixos e dar às pessoas (mulheres) aquilo que elas realmente necessitam: um lugar fora da realidade onde conseguem experienciar, ainda que fantasiosamente, aquilo que não têm na vida real e que lhes traz uma sensação de felicidade. Claro que basicamente esta felicidade prende-se sempre com a presença de um homem e, preferencialmente, esse homem deve ser alto, não necessariamente bonito, ombros largos e deve ser, sobretudo, misterioso, às vezes arrogante, mas capaz de amar, ainda que lhe custe admitir isso.

 

A história do filme divide-se em três segmentos passados em épocas diferentes mas visando sempre a relação dos personagens com as histórias criadas pelos autores ligados à Mills & Boon. Estes segmentos são relatados em simultâneo. No primeiro, o único que é real, vemos a criação da empresa por dois jovens e a relação de um deles com a esposa; existe ali uma ironia criada pelo facto de Charles Boon, que analisa diariamente histórias romanceadas, não ser capaz de se aperceber que não dá à esposa aquilo que ela (e todas as mulheres) realmente necessita: sentir amada e desejada, tratando-a com respeito mas ignorando completamente as tentativas que ela faz para injetar paixão na relação. Há uma tirada que achei genial e fartei-me de rir. Estando ele na guerra, numa das cartas que ela lhe envia, e incentivada pela relação que vê florescer entre dois dos empregados da empresa, ela escreve-lhe com paixão evidente, algo que não costuma fazer; Resposta dele: "Mary, acho-te muito estranha! Talvez devesses procurar a ajuda de um terapeuta. E já que vais sair, aproveita e compra mais meias para me enviar!..."

 

Na segunda história, passada em 1974, vemos a fictícia Janet Bottomley, uma datilógrafa desinteressante que vive com a mãe e é viciada em romances da Mills & Boon. Quando a mãe é internada para uma prótese de substituição da anca, ela deixa-se encantar pelo cirurgião arrogante, o que a leva a iniciar um manuscrito que traduz a paixão num romance passado num hospital e que tem como principais intervenientes ela mesma e o médico. Simultaneamente, começa a perseguir o senhor que a trata com despeito e arrogância. A situação termina com um embaraçante confronto entre os dois numa festa, onde ele lhe demonstra todo o seu desinteresse. Logo depois, no entanto, ela recebe a notícia que a Mills & Boon aceitou o seu manuscrito. Ainda mais bem vinda é a surpreendente quantia de dinheiro que o livro lhe traz, permitindo-lhe parar de trabalhar e viver integralmente da sua escrita sob o nome de Raquel Pretty. É engraçado vê-la iniciar um novo romance (escrito) logo depois de conhecer o seu editor. A história é obviamente baseada nela e no editor e assim que ele deixa o restaurante onde ambos falaram sobre o seu contrato, ela começa a escrever num guardanapo, depois de pedir uma caneta ao empregado.

 

O terceiro segmento, passado em 2008, traz-nos a também fictícia Kristie, uma professora universitária de literatura nos seus trinta e poucos anos, que numa das suas disciplinas de Romance Moderno, aborda os romances da Mills & Boon. Um dos seus alunos, Jake, nos seus vinte e poucos anos, apaixona-se por ela e inscreve-se na disciplina, iniciando um jogo de sensualidade que a deixa confusa. Como se encontra numa relação já sem encanto, depressa se apercebe rendida aos encantos do estudante. Desafiada por Jake dentro e fora das suas aulas, ambos iniciam um caso que ela acaba por confessar ao seu companheiro. Vendo que ele, apesar de magoado, pretende ultrapassar o assunto, mas que continua sem demonstrar paixão, ela abandona-o. Após um confronto com Jake na sua aula, os dois decidem assumir a relação.

 

Confesso que gostei bastante do filme. Retrata com perfeição aquilo que os romances da Mills & Boon (desde 1971 denomina-se Harlequin Mills&Boon) significam, especialmente para as mulheres, e ainda os estigmas a que são sujeitos pela sociedade em geral.

 

Aconselho a visulaização do vídeo seguinte que retrata a evolução do herói masculino ao longo das últimas décadas. Adorei a parte que diz que o herói teve se ser procurado no estrangeiro (sheiks e afins) porque nos anos sessenta não haviam homens que servissem como heróis pois eram todos guedelhudos.

 

publicado por Sandra F. às 19:53

Há mt desdem por estes livros, mas esta é uma indústria multi-milionária que rende milhões durante o ano. Uma vez num documentário sobre o genero, a apresentadora fez uma experiencia. num dia ela lia algo do género e no outro não. Ela conseguiu demonstrar que ler fazia libertar umas hormonas que faziam bem, não sei explicar os pormenores técnicos, mas digamos que fazia bem à saúde.
se for lido com moderação e sem a ideia que é real, acho que sabem bem. são o meu guilty pleasure :)
Vera a 6 de Novembro de 2012 às 10:50

Concordo, Vera, mas desde que estejam bem escritos ou pelo menos bem traduzidos. é que há aí umas traduções que são uma verdadeira lástima. E mesmo que a história até seja boa, a má tradução estraga tudo.
Sandra F. a 6 de Novembro de 2012 às 21:46

eu em livros nunca notei assim nada de mt grave, mas já li mt gente a queixar-se disso. Noto coisas mt graves em séries e filmes. Agora, nos livros acho que começa a ser porque a pressa é inimiga da perfeição. Vê só a velocidade a que tem sido publicado as cinquenta sombras. lembro-me de qd foi publicado o primeiro em junho ou julho de ler que em outubro saia o segundo e para o janeiro ou fevereiro saia o último. Este mês já vão publicar o último. Eu percebo que eles apresssem até pq mt gente leu o primeiro em pt e comprou os outros inglês, mas isso só prejudica, digo eu, a tradução e quem sofre são os leitores que não conseguem ler em inglês ou preferem ler em português.
Vera a 7 de Novembro de 2012 às 08:52

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