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booksmoviesanddreams

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Livros que morrerão comigo:

"Norte e Sul" de Elizabeth Gaskell
"O monte dos Vendavais" de Emily Bronte
"Jane Eyre" de Charlotte Bronte
"Villette" de Charlotte Bronte
"A inquilina de Wildfell Hall" de Anne Bronte
"Orgulho e Preconceito" de Jane Austen
"Persuasão" de Jane Austen
"A mulher do viajante no tempo" de Audrey Niffenegger
"Em nome da memória" de Ann Brashares
"Charlotte Gray" de Sebastian Faulks
"A casa do destino" de Susana Prieto e Lea Vélez
"De mãos dadas com a perfeição" de Sofia Bragança Buchholz
"Rebecca" de Daphne Du Maurier
"O cavaleiro de Bronze" de Paulina Simons
"Enquanto estiveres aí" de Marc Levy
"O segredo de Sophia" de Susanna Kearsley

Consuming passion: 100 years of Mills & Boon (2008)

Sandra F., 04.11.12

Some of the following is based on fact ... the rest is romantic fiction....

 

Para quem não sabe, a Mills & Boon é uma editora de livros românticos mais conhecidos por livros de cordel ou de banca. Já li muitos, já me apaixonei por vários e já torci o nariz a uma porção deles. Mas sobretudo não sou daquelas que critica. Acho que é uma forma tão válida quanto todas as outras para que as pessoas leiam. E convenhamos que a maioria da literatura (aceitável como literatura para os meios académicos) não é acessível a todas as pessoas pois, por vezes, a complexidade da linguagem e a extensão das histórias não incentiva a sua leitura.

 

Este filme (que celebra o centenário da Mills&Boon) é especialmente aconselhado a quem critica esse género de leitura. De uma forma explícita e coerente consegue explanar o porquê destas leituras serem tão aprazíveis para o sexo feminino desde que começaram a ser editadas nos anos vinte do século passado. Custos baixos e dar às pessoas (mulheres) aquilo que elas realmente necessitam: um lugar fora da realidade onde conseguem experienciar, ainda que fantasiosamente, aquilo que não têm na vida real e que lhes traz uma sensação de felicidade. Claro que basicamente esta felicidade prende-se sempre com a presença de um homem e, preferencialmente, esse homem deve ser alto, não necessariamente bonito, ombros largos e deve ser, sobretudo, misterioso, às vezes arrogante, mas capaz de amar, ainda que lhe custe admitir isso.

 

A história do filme divide-se em três segmentos passados em épocas diferentes mas visando sempre a relação dos personagens com as histórias criadas pelos autores ligados à Mills & Boon. Estes segmentos são relatados em simultâneo. No primeiro, o único que é real, vemos a criação da empresa por dois jovens e a relação de um deles com a esposa; existe ali uma ironia criada pelo facto de Charles Boon, que analisa diariamente histórias romanceadas, não ser capaz de se aperceber que não dá à esposa aquilo que ela (e todas as mulheres) realmente necessita: sentir amada e desejada, tratando-a com respeito mas ignorando completamente as tentativas que ela faz para injetar paixão na relação. Há uma tirada que achei genial e fartei-me de rir. Estando ele na guerra, numa das cartas que ela lhe envia, e incentivada pela relação que vê florescer entre dois dos empregados da empresa, ela escreve-lhe com paixão evidente, algo que não costuma fazer; Resposta dele: "Mary, acho-te muito estranha! Talvez devesses procurar a ajuda de um terapeuta. E já que vais sair, aproveita e compra mais meias para me enviar!..."

 

Na segunda história, passada em 1974, vemos a fictícia Janet Bottomley, uma datilógrafa desinteressante que vive com a mãe e é viciada em romances da Mills & Boon. Quando a mãe é internada para uma prótese de substituição da anca, ela deixa-se encantar pelo cirurgião arrogante, o que a leva a iniciar um manuscrito que traduz a paixão num romance passado num hospital e que tem como principais intervenientes ela mesma e o médico. Simultaneamente, começa a perseguir o senhor que a trata com despeito e arrogância. A situação termina com um embaraçante confronto entre os dois numa festa, onde ele lhe demonstra todo o seu desinteresse. Logo depois, no entanto, ela recebe a notícia que a Mills & Boon aceitou o seu manuscrito. Ainda mais bem vinda é a surpreendente quantia de dinheiro que o livro lhe traz, permitindo-lhe parar de trabalhar e viver integralmente da sua escrita sob o nome de Raquel Pretty. É engraçado vê-la iniciar um novo romance (escrito) logo depois de conhecer o seu editor. A história é obviamente baseada nela e no editor e assim que ele deixa o restaurante onde ambos falaram sobre o seu contrato, ela começa a escrever num guardanapo, depois de pedir uma caneta ao empregado.

 

O terceiro segmento, passado em 2008, traz-nos a também fictícia Kristie, uma professora universitária de literatura nos seus trinta e poucos anos, que numa das suas disciplinas de Romance Moderno, aborda os romances da Mills & Boon. Um dos seus alunos, Jake, nos seus vinte e poucos anos, apaixona-se por ela e inscreve-se na disciplina, iniciando um jogo de sensualidade que a deixa confusa. Como se encontra numa relação já sem encanto, depressa se apercebe rendida aos encantos do estudante. Desafiada por Jake dentro e fora das suas aulas, ambos iniciam um caso que ela acaba por confessar ao seu companheiro. Vendo que ele, apesar de magoado, pretende ultrapassar o assunto, mas que continua sem demonstrar paixão, ela abandona-o. Após um confronto com Jake na sua aula, os dois decidem assumir a relação.

 

Confesso que gostei bastante do filme. Retrata com perfeição aquilo que os romances da Mills & Boon (desde 1971 denomina-se Harlequin Mills&Boon) significam, especialmente para as mulheres, e ainda os estigmas a que são sujeitos pela sociedade em geral.

 

Aconselho a visulaização do vídeo seguinte que retrata a evolução do herói masculino ao longo das últimas décadas. Adorei a parte que diz que o herói teve se ser procurado no estrangeiro (sheiks e afins) porque nos anos sessenta não haviam homens que servissem como heróis pois eram todos guedelhudos.

 

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