16
Mai 13

Cathy e Nelly:

 

"- Se estivesse no céu, Nelly, sentir-me-ia extremamente mal.

 

 - Porque não é digna de ir para lá - retorqui - Todos os pecadores se sentiriam mal no céu.

 

 - Não é por isso. Sonhei uma vez que estava lá.

 

 - Já lhe disse que não quero escutar os seus sonhos, menina Catherine! Vou para a cama - interrompi novamente.

 

    Riu-se e segurou-me, pois eu fizera um movimento para deixar a cadeira.

 

 - Não é nada - gritou - Ia apenas dizer que o céu não me parecia a minha casa; e que chorei, até se me partir o coração, para voltar para a terra; e os anjos ficaram tão zangados, que me lançaram no meio do paul, no alto do Monte dos Vendavais, onde acordei a soluçar de alegria. Este sonho também serve para explicar o meu segredo, tão bem como o outro. Tenho tanto interesse em casar-me com o Edgar Linton como em ir para o céu. Se aquele malvado do dono desta casa não tivesse aviltado tanto o Heathcliff, eu não pensaria nisso. Agora degradar-me-ia se me casasse com o Heathcliff e ele nunca há de saber como eu o amo, não porque seja elegante mas porque é mais eu do que eu própria. Seja lá do que for que as nossas almas sejam feitas, a minha é igual à dele e a do Linton é tão diferente como um raio de luar é diferente do relâmpago, ou a geada é diferente do fogo.

 

    Antes de ela acabar de falar, reparei na presença do Heathcliff. Notando um ligeiro movimento, voltei a cabeça e vi-o levantar-se do banco e sair furtivamente. Escutara até a Catherine dizer que se degradaria se se casasse com ele, e então não quisera ouvir mais. A minha companheira, sentada no chão, não pudera, por causa das costas do banco, reparar na sua presença e na sua partida; mas eu estremeci e mandei-a calar."

 

publicado por Sandra F. às 17:48

30
Abr 13

(Nelly para Cathy)

"- ... E agora, diga-me: porque se sente infeliz? O seu irmão ficará contente; os pais dele não creio que ponham objeções; mudará de uma casa desconfortável e sem ordem para uma residência opulenta e respeitável; gosta do Edgar e o Edgar gosta de si. Tudo parece regular e fácil; onde está o obstáculo?

- Aqui! E aqui! - replicou Catherine, batendo com uma das mãos na testa e com a outra no peito - Onde quer que a alma vive. Na alma e no coração estou convencida de que não procedi bem!

- Isso é muito estranho! Não percebo porquê.

- É o meu segredo. Mas, se não zombares de mim, explico-te. Não o posso fazer claramente, mas dar-te-ei uma ideia daquilo que sinto."

 

publicado por Sandra F. às 22:16

21
Abr 13

Saudades de Spooks. A rever, brevemente...

 

publicado por Sandra F. às 20:22
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14
Abr 13

"- Não tinha pensado nisso dessa forma.. da maneira como o descreveste, nas questões práticas e tudo isso. Limitei-me a sentir-me atraída por ele. Senti que seria uma traição a qualquer coisa se não me aproximasse dele. Era como um chamamento que seria um erro ignorar. Sinto-o no mais fundo de mim."

Charlotte para a amiga Daisy, sobre Peter Gregory. Charlotte Gray, Sebastian Faulks, Difel, 2004, pág.61

  

publicado por Sandra F. às 19:21

09
Abr 13

"Não é o tal (motivo)- retorquiu - É o melhor! Os outros eram a satisfação dos meus caprichos, e dos do Edgar também. Mas este diz respeito a alguém que reúne em si tudo o que eu sinto pelo Edgar e por mim própria. Não sei exprimi-lo; mas certamente tu e toda a gente tem a noção de que há ou devia haver uma existência nossa para além de nós. De que me serviria ter nascido, se eu estivesse toda aqui? As minhas grandes mágoas deste mundo têm sido as mágoas do Heathcliff; observei e senti cada uma delas desde o início; ele é o grande motivo da minha vida. Se tudo perecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir; e se tudo permanecesse e ele fosse aniquilado, o Universo inteiro transformar-se-ia a meus olhos numa potência estranha de que eu deixaria de fazer parte. O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques; o tempo modifica-o, estou certa, como o inverno muda as árvores. O meu amor pelo Heathcliff assemelha-se às rochas eternas por debaixo delas; fonte de júbilo pouco visível mas necessária. Nelly, eu sou o Heathcliff! Ele está sempre, sempre, na minha mente, não como um prazer, como eu própria não sou um prazer para mim mesma, mas como o meu próprio ser."

 

publicado por Sandra F. às 19:57

08
Abr 13

"Ia apenas dizer que o céu não me parecia a minha casa; e que chorei, até se me partir o coração, para voltar para a terra; e os anjos ficaram tão zangados, que me lançaram no meio do paúl, no alto do Monte dos Vendavais, onde acordei a soluçar de alegria. Este sonho também serve para explicar o meu segredo, tão bem como o outro. Tenho tanto interesse em casar-me com o Edgar Linton como em ir para o céu. Se aquele malvado do dono desta casa não tivesse aviltado tanto o Heathcliff, eu não pensaria nisso. Agora degradar-me-ia se me casasse com o Heathcliff e ele nunca há de saber como eu o amo, não porque seja elegante mas porque é mais eu do que eu própria. Seja lá do que for de que as nossas almas sejam feitas, a minha é igual à dele e a do Linton é tão diferente como um raio de luar é diferente do relâmpago, ou a geada é diferente do fogo."

(Cathy para Nelly - O Monte dos Vendavais, Civilização Editora, 2012, pág. 80)

 

publicado por Sandra F. às 21:28

02
Abr 13

Olhem que boa razão eu encontrei para exibir esse senhor no meu blog!

 

 

Sim senhor, um verdadeiro gentleman! Até vestiu um tuxedo para nos visitar.

  

  

Happy Birthday then, Mr Fassbender/Rochester/Azazael!

 

 

 

 

Oh! Eu sei que vales por muitas outras interpretações. Menciono as minhas favoritas. E espero que venham muitas mais.

 

 

(Back to the real world... e não esquecendo que não tenho idade para isto.... :-D)

publicado por Sandra F. às 21:09

17
Mar 13
publicado por Sandra F. às 19:05
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21
Fev 13

A história de Jane Eyre escrita por Charlotte Bronte em 1847 é já sobejamente conhecida por quase toda a gente. A história de uma orfã repudiada pelos seus únicos familiares que é atirada para uma instituição de caridade ainda criança e que, mais tarde, começa a trabalhar como governanta para o rico e conturbado senhor de Thornfield Hall. Não me entendam mal. Parece uma descrição menor do livro mas, para que conste, sou uma fã incondicional da história e considero-a como uma das melhores obra jamais escritas e existentes na literatura.

 

 

Já aqui publiquei a minha opinião sobre a adaptação para cinema que fizeram em 2011 e ainda da adaptação para a televisão em 2006 (ver aqui). Gostei de ambas. Tanto que a minha adoração pela obra aumentou. São perfeitas, cada uma à sua maneira, uma mais completa que a outra é certo,... mas perfeitas! No entanto, a primeira versão visual de Jane Eyre que vi foi a do realizador Franco Zefirelli, em 1996, com a Charlotte Gainsbourg e o William Hurt. Quando a vi ainda não conhecia a obra mas fiquei tão encantada com a história que soube que sempre seria apreciadora da mesma e que tinha de ler o livro. Fi-lo anos depois (na altura, dinheiro para livros simplesmente não havia...). Lindo! Lindo! Muito melhor que a adaptação. E anos depois, quando vi estas versões mais modernas... foi surpreendente!
 

 

Há dias, revi essa primeira adaptação que vi. Instigada por alguém que disse que o William Hurt era um dos piores Rochesters de sempre, tive de rever e reformular a minha opinião. Devo dizer, no entanto, que quando vi pela primeira vez este filme, o que me encantou não foi o Rochester e sim a história em si, o ambiente, a intensidade da história e o envolvimento das duas personagens principais (que sei hoje que pode ser muito melhor). Só nestas versões mais actuais é que percebi a grande sensualidade e poder que pode ter um homem como Edward Fairfax Rochester. Por isso foi que, ao rever esta versão de 1996, dei comigo até incomodada com a actuação de William Hurt. E não só.

 

 

Não posso em consciência criticar negativamente este filme que, segundo me apercebo, não foi largamente aclamado. Confesso que teve os seus momentos bons e outros menos bons. Ignorar totalmente a última parte da obra, aquela onde Jane se refugia e se perde nas charnecas e em que encontra refúgio em casa dos Rivers, é inadmissível. Não gostei também da actuação de quem interpreta Mrs Fairfax (Joan Plowright); pareceu-me demasiado curiosa, coscuvilheira e espevitada. Mas não posso deixar de pensar que, para mim, a Mrs Fairfax perfeita é a de Judi Dench e secalhar, inconscientemente, comparei-as. E a primeira saiu a perder. Depois temos o Rochester de William Hurt. Alguém comentou comigo que mais parece um bêbedo e que nada tem de Rochester. Concordo. Parece estar sempre com um copo na mão (mesmo em situações em que a obra não menciona isso) e com um ar tão ébrio que os olhos chegam a trocar-se-lhe e a voz a atropelar-se. Tem os seus momentos bons, claro (por exemplo na cena da proposta de casamento mas... desde que se levanta porque quando estava sentado a fumar... Deus nos livre!). Mas os maus são tantos que nem dá para valorizar aqueles que são aceitáveis.

 

 

Quanto ao resto do filme, nada acrescento. Adorei a banda sonora. E gostei muito da representação de Jane Eyre feita pela Charlotte Gainsbourg (excepto do sotaque francês) e de todas as outras. Os cenários são maravilhosos como sempre. E fiquei a saber que Haddon Hall foi pela primeira vez aqui usada para representar Thornfield Hall. Foi desde esta versão que esta propriedade ficou associada à obra de Jane Eyre e todas as outras versões feitas posteriormente a usaram como a casa de Mrs Rochester. Facilmente se reconhecem cenários usados em outras versões.

 

 

Para mim, no entanto, esta versão é especial pois foi a primeira que vi e ainda hoje recordo do quanto gostei da história. E do quanto continuarei a gostar.

 

  

publicado por Sandra F. às 19:47

19
Fev 13
Lindo! Lindo! Lindo! Lindo! 

publicado por Sandra F. às 19:53

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